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BRASIL

Setor empresarial reage à aprovação da PEC que reduz jornada de trabalho

Empresários divergem sobre os efeitos da proposta: enquanto alguns preveem aumento de custos e impacto no emprego, outros veem ganhos.

Por Tasso Moraes · ·

Foto: Divulgação

Empresários de grandes companhias brasileiras reagiram à aprovação, nesta quarta-feira, da PEC que reduz a escala 6×1, tema que extrapolou o ambiente político. Para além das discussões entre parlamentares e candidatos à Presidência, a proposta desencadeou reações no mundo corporativo.

Ouvido pela CBN, Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, avaliou negativamente o projeto. Para ele, o setor já sentirá reflexos da redução da escala em um período de 60 dias.

"Nós temos restaurantes que terão que fechar um dia, porque é impossível achar uma equipe nova, um quinto da equipe, especialmente os mais especializados, uma cozinheira, para cobrir esse sexto dia de oferta. Então, nós temos um desarranjo contratado, um aumento de preços em todos os serviços essenciais, que vão reduzir o poder aquisitivo de quem acha que está ganhando a mesma coisa. Não, porque os preços subirão."

A Fiemg, a Federação das Indústrias de Minas Gerais, também critica a proposta e defende que contratos coletivos já negociados estariam ameaçados, como explica Fernanda Ribas, gerente trabalhista da entidade.

"Entendemos que a melhor forma de verificar isso, de proporcionar isso, é através da negociação coletiva. Da forma como o texto está sendo proposto, ele está engessando e não está dando liberdade para os diferentes setores adaptarem as suas realidades. Então, a gente fica bastante preocupado com os impactos que vão ter, não só para as empresas, mas para toda a sociedade."

Presidente do conselho da Petz Cobasi, empresas do ramo de produtos e serviços para animais, Sérgio Zimerman criticou o teor da proposta, afirmando que a redução da escala aumentará o custo-hora da mão-de-obra, repassando o valor para os consumidores, além de não garantir a manutenção de salários dos trabalhadores.

Em contrapartida, defendeu outra proposta.

"Eu defendo muito mais a ideia de modernizar a relação de trabalho, onde você possa ter escalas flexíveis, com jornadas flexíveis. É o mundo moderno, é o jeito melhor de adequar cada necessidade a um trabalho."

Por outro lado, há quem aposte em benefícios caso a PEC seja aprovada.

Isabela Raposeiras, CEO do Coffeelab, destacou que a redução da escala é uma medida “justa” para os trabalhadores, já que o sucesso das empresas é resultado do trabalho deles.

Disse, ainda, que a medida contribui com a redução dos gastos das companhias.

"Quando a gente faz uma escala melhor, a gente começa a gastar infinitamente menos em rescisão, nos custos indiretos e diretos de ausências de vocês. Foi o que aconteceu na minha e em todas as outras empresas que a gente implantou a escala. Aliás, até hoje, a gente não teve que contratar, em nenhuma dessas empresas, uma pessoa a mais."

Em nota, a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings também defendeu a valorização do "bem-estar" do trabalhador. Mas ressaltou a necessidade do diálogo responsável entre o governo federal, o Congresso e o setor produtivo para garantir a sustentabilidade das empresas e a preservação dos empregos formais no Brasil.

A PEC reduzirá de 44 horas para 40 horas semanais a jornada de trabalho 14 meses após a promulgação e a publicação da proposta, criando a escala 5×2, sem redução de salários.

Com informações: Cbn